Palestra de abertura

SONS, FORMAS, IMAGENS E MÚSICAS: EMUCIM SOCIO-HUMANO SISTÊMICA

Joel Barbosa

Escola de Música da UFBA

 

Este trabalho faz uma reflexão sobre relações existentes entre uma interpretação de processos de se aprender instrumentos musicais e suas implicações pedagógicas para a educação musical coletiva elementar com instrumentos musicais (EMUCIM). A interpretação apresentada considera o aprendizado do iniciante a partir da construção de conhecimentos que ele faz em relação: a) aos sons de seu instrumento, b) às formas sonoras geradas pelas combinações destes sons, c) às imagens mentais concebidas no processo de produção e manipulação destes formatos sonoros e d) aos aspectos musicais que estas imagens produzem em seu ser pessoal e coletivo, por conta da performance musical. De um lado, as características organológicas de cada instrumento têm relações diretas com as maneiras de se produzir seus sons, consequentemente, com seu repertório e pedagogia.  Do outro, as formas sonoras (combinações de notas musicais em sentido horizontal e vertical) familiares da nossa cultura musical são tonais e, em menor predominância, modais. Com estes dois pontos em ponderação, o trabalho apresenta uma proposta inédita de sistema de ensino coletivo elementar que combina instrumentos de sopro, arco, cordas, fole, percussão e digitais. Em seguida, considerando a complexidade da produção dos conhecimentos expostos mais acima, a reflexão propõe que ela seja realizada, pelo aprendiz, por meio de um conjunto de atividades didáticas diversas e interrelacionadas. O conjunto de atividades faz uso da audição, visão, voz, movimentos corporais e execução instrumental, realizadas individual e coletivamente. Em seguida, o trabalho discorre sobre princípios didáticos para o ensino coletivo de instrumentos heterogêneos que foram construídos tanto com base na heterogeneidade dos participantes, dos instrumentos e das atividades didáticas, quanto tendo-a como uma propriedade pedagógica para a educação musical. Por fim, estes princípios fundamentam-se na premissa que quanto maior a diversidade de educandos, instrumentos e atividades didáticas, certamente, mais complicado será o processo didático, contudo, mais rica e completa poderá ser a formação musical do aprendiz.